Do amor. Da dor. Do impulso. Da confusão. Do conlito. Da lágrima. Do medo. Da tentativa. Da insistência. Do nada. Do tudo.
Desisto do que me não for viável, do que me for prejudicial. Livro-me dos barcos e jangadas. Sinto-me só, e só estou eu como só me sinto. Eu o faço, pois tenho um trato comigo. Disfarço, porém, não posso. Desato-me e noto, que os dias haviam virado noite e as madrugadas...já nem sei mais. Enfim, desisto de tudo que desistiria. Desisto de desistir. Porque não há mais como desistir.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Sussurros.
Como num sopro, as palavras voaram, perderam-se no ar. Murmúrios, sussurros, ruídos, bulícios, burburinhos, ... Enfim, o silêncio. O silêncio que silencia até as palavras mais longas, e que prolonga os minutos já prolongados. Num fim de tarde, as palavras voltam. Palavras proseadas, sussurradas pelos teus sussurros mansos. Sussurros que baixam o sol, baixam o mar, baixam minh'alma. Estribeiras que perdem-se. Portas abrem-se. Portas de um coração levemente magoado, que se dispôs a curar-se em teu colo. E em teu colo, ouço batidas aceleradas de teu coração, enquanto me falas de um possível amor. Em sussurros, me falas de amor. Brisas e ondas levam tuas palavras, mas, mesmo assim, ainda me sussurras o amor.
sábado, 13 de março de 2010
Sem querer.
Mesmo que ela tentasse, o máximo que conseguia arrancar dele era um sorriso bobo. Embora tentasse mais, nem seu abraço conseguia. E ela esperava mais... Esperava que, ao chorar, ele a colocaria em seus braços e diria que ele estava ali. Porém, ele a viu em iminência de chorar, parou como mostrasse preocupação, mas, nem mesmo a abraçou. E ela estava ali, parada, pasma. E tudo que a confortaria seria seu abraço, sua força, seus olhos, seu sorriso. E no outro dia, tudo o que ele fez foi estar ao seu lado e sorrir sem graça, enquanto ela sorria seu sorriso mais sem graça de todos os sem graça que já sorriu - o típico sorriso que faz a gente baixar a cabeça e não conseguir olhar nos olhos, quem sabe, por medo de se perder naqueles olhos. E ela sentiu-se bem, afinal, a mesma disse baixinho: "Ele sorriu pra mim". E sem perceber, percebeu... ela deixou-se apaixonar.
domingo, 7 de março de 2010
Amor escondido.
Em meu seio, carrego mazelas. Em teu seio, não sei se algo carregas. São muitas as saudades que me traz o tempo. Seio cheio, olhos cheios. Tão cheio seio, que está a ponto de transbordar minhas dores até por meus olhos. Por meu salgado pranto transborda o amor demasiado, a demasiada dor. Escondo-me. Fecho-me. Compreendo-me, mesmo que recanto. Sinto-me disperso, e me despeço de teu mais belo canto. Não sabes, porém, não desejo que saibas. Minha mais profunda dor haverá de ser só minha, até mesmo no instante em que quase não suporte carregá-la mais. E quando não mais suportar, irei ao teu encontro. Falarei de meu sofrimento, de meu amor escondido, enstristecido. Falarei de minhas prosas, rimas, poemas, versos, crônicas, livros, papeis e letras. Mesmo que baixinho, falarei. Em sussurros, falarei de meu amor. Do mais verdadeiro e obsoleto amor. Aquele amor que sempre estará escondido em mim.
"Pássaro mudo, longe do ninho, sem forças para voar."
quinta-feira, 4 de março de 2010
Ser grande.
Forte, grande, forte. Frágil, pequeno, frágil. Maturidade se confunde com força. Porém, ser "gente grande" é, muitas vezes, ser pequeno. Dói mais. Criança corre, cai, chora, levanta, corre e sorri, embora se machuque outra vez. Adulto cai, permanece ali até perceber que forte é aquela criança que está ao seu lado, que chora quando quer. E o choro pára. Em gente grande, o choro permanece, dói, machuca, não sara...e escapa. É aí que enxergamos: grande mesmo é o pequeno, que mesmo tão pequeno assim, sabe ser grande.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Praia, mar, céu azul e ele.
Ela havia se permitido ir à praia. Ela se permitiu andar descalça na areia molhada e banhar os pés na água salgada, embora tomasse banho de bica depois. Ela havia se permitido estar "bem". Ela havia se permitido estar feliz, comendo sua ginga com tapioca, sem temores e tremores. Ela havia se permitido estar com seus ombros ocupados, acobertados pelas mãos dele. Seus ombros... e as mãos dele.
Novos rumos.
Talvez, o ''estar só'' nos provoque. Mas, é o mesmo que nos conforta, e que nos faz mais fortes. Embora passemos por um campo onde as flores estão mortas e as folhagens estejam secas, e sendo habitado apenas por bichos, no meio do caminho vem a chuva. A chuva molha a terra, umedece as folhagens e dão de beber às flores e aos bichos, além de lhes banhar. A chuva passará. Ao fim desse caminho, haverá um novo caminho. E será nesse novo caminho que o sol se fará mais presente, as flores perfumarão o campo, a terra será coberta pelo tom verde-vivo das folhagens e os bichos estarão lá. Ah! E o céu será azul... azul anil. Não haverá mais um só, haverá um sol.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Sonho.
Eu mesma achava impossível voar sem asas. Quem imaginaria que alguém poderia voar? Como voar sem asas? E tudo o que era necessário era...um tecido. Um tecido dividido em duas partes, e preso ao teto. Um tecido que nos levasse ao alto, como se alcançássemos o céu e que nos fizesse ver as coisas como os pássaros. Um tecido que nos entrelaçasse, não nos deixasse cair e nos realizasse um sonho: o de voar. E sem ter asas, eu sei: posso voar. Eu sei, aprendo a voar...
domingo, 7 de fevereiro de 2010
À primeira vista.
Entrou quase junto dele naquele lugar. Estava ao seu lado. Ela o acompanhava, como se fosse para o mesmo lugar... mas, não ia. Quase errava o caminho. Retornou, não o esquecendo. Passaram-se horas... Estava prestes à entrar. Já sentia frios, calafrios, calores, dores, tremores. E ele entrou. O local frio tornava-se quente. Ahh,... ele! A deixava inquieta. Às vezes, olhava sorrindo, como se falasse só com ela. Ele a olhava nos olhos, como se seus olhos pudessem puxá-lo. Talvez ela o tenha desnorteado com seu olhar. Ele a seguia com seus olhos. Parou. Voltou para o que devia fazer. Se falaram. Era como se estivessem esperando qualquer pretexto para conversarem - e ele foi até ela, sorrindo. O coração dela estava acelerado. Seus olhos não conseguiam se fixar nos olhos dele. Os olhos dele? Também não. E ali, foi o primeiro toque. O toque de suas mãos a fazia delirar. Ele a olhou nos olhos, sorriu... E foi assim, sem conseguir passar 10 segundos sem olhá-la. Até os 10 segundos atingiram horas. Foram as horas mais rápidas de sua vida. Ele estava indo embora. Ela gritou seu nome. Ele virou, sorriu e seu olhar parecia sorrir também. Foi embora. Aparece outra vez. Passa ao seu lado olhando-a, como se quisesse falar mas lhe faltasse a coragem e quase bate no braço dela para chamar a atenção...mas, não bate. Se encolhe e segue. Ela sorri e fica tensa. Ele atravessa a rua e desaparece, mesmo com seu carro ali. Ela o procura, e o acha. Ela não podia vê-lo, mas ele estava a observá-la. Ele entra em seu carro. Sai. E antes de virar a esquina, coloca o braço direito no banco direito do carro e vira seu pescoço de forma que seus olhos possam alcançá-la. Assim, ele pôde ir embora. E desde lá, ela continua sorrindo, só que não é mais para ele, mas porque encontrou ele. Logo ela, que havia se desacreditado dos príncipes encantados...
domingo, 31 de janeiro de 2010
Noturno.
Olhar sólido, duro, frio. Palavras amargas. E embora não haja silêncio - por mérito óbvio das palavras -, há dor. Sofrimento. Mágoas. E há...vazio. Vazio. Vazio. Perde-se o alguém. Perde-se o amor. Perde-se todo ele. E não há mais beleza. O sol não irradia mais a luz intensa que havia até em noites de chuva, como quando havia amor. Noite. Boas coisas vêm. Mas, o tempo leva tudo. O tempo parece ter pressa.Vem frustração, como se não houvesse eternidade. E o tal clichê do "Nada é eterno" cairia bem, não? Não é morte. Pensando bem, não sei... Mas, é morte. Porém, morte de sentimento - a mais dolorosa, que mata aos poucos e com muitos...muitos copos, muitos colos, mas, muitos silêncios. E morre o amor, trazendo a total desesperança. E não há motivo para crer no 'viver', já que só se crê em existir porque o coração ainda bombeia sangue. Solidão. E parece que o túnel chegou, realmente, ao seu fim. O amor desaparece em sua frente. Os olhos deixam cair um pranto do coração, feito sangue. Pranto. Pranto, que não deixa os olhos olharem, e os molha. Não há crença. Não há a mesma paixão boba, que nos deixa bobos. Tudo ilusão! Momentos, lembranças e mágoa. Solidão...
Ah, coração alado! ♪
Ah, coração alado! ♪
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Pétalas caídas.
Ela chorava. Estava nos degraus acima. Eu estava nos degraus abaixo, segurando meu choro. Ela parecia desnorteada. Não havia nexo, convexo, pretexto ou conversa alguma que a fizesse sorrir. Estava muda. Sem hesitar, subi os degraus. Ela me olhava com dor, medo, angústia, desesperança,... Abracei-a. Ela abraçou-me forte e, como se eu fosse um refúgio, suas lágrimas correram, seu soluço soluçou-se mais forte e o rosto enrubou-se. Meu coração apertou. Não sabia o que fazer, nem como fazer, nem o que dizer. Mas, percebi que as ações valiam mais e tudo que era preciso, naquele instante, era meu abraço. Senti-me forte, mas frágil. Sabia que meu abraço era o que necessitava e, realmente, era isso que necessitava. Nenhum conselho, palavra amiga ou piadas bobas, na tentativa de fazê-la sorrir. Bastava um abraço. Um abraço meu. Segurou minha mão. Naquela vez, eu sentia a mais pura verdade em seu olhar. Falou-me da dor. Falou-me da dor de perder seu amor por 'um erro'. As palavras me serviram como arma, atirando em meu coração, mais precisamente. E tudo que eu queria dizer, era tudo o que ela queria escutar:
- Eu estou aqui.
- Hunrum... Te amo, minha amiga. Te amo.
- Eu também...
Silêncio... Barulho! Passos rápidos. Molho de chaves. Porta abriu-se. Passos lentos. O Motor ligou. O portão abriu-se. O carro saiu. Fiquei em vazio. Carros. Motos. Pessoas. Nada. E o vazio prolongou-se por horas, pois tudo que tinha eram lágrimas. E as lágrimas saíram de meus olhos feito pétalas em outono, levando o que ainda restava de mim. Entrei em casa. O som estava ligado. Desliguei-o. Silêncio. Chaves. Porta fechada. Silêncio! E quem precisava de um abraço, agora, era eu mesma. E chegou meu outono, novamente...
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Ana e o mar
Baseada em "Ana e o mar": canção de Fernando Anitelli, líder da trupe e idealizador do projeto d'O Teatro Mágico)
Descalça na areia. Buscava, até no céu, as mais perfeitas conchas.
Sangue corria forte na veia. Estavam a dançar, no mar, as ondas.
Andava em direção ao mar. Como já não bastasse seu balançar,
Andava nas estrelas. Ela andava no luar. Ah, mar...
O céu, um manto. O véu, recanto.
Era sereia. Sereia até na areia.
Cantava o canto. Um tanto triste, entretanto.
Sem o mar, só meia. Farol, praia, lua cheia.
Pele. Sentia a brisa. Brisa alisa a lisa pele. Brisa a pele lisa alisa.
Ali se fazia um marco. Era areia. Era mar. Era brisa. Era barco.
Estava apaixonada, pobre Ana, pelo mar. Sequer sabia como amar.
Amava as estrelas. Ela amava o luar. Ah, mar...
Ele descobriu, assustou-se e sorriu.
Apaixonou-se por Ana. Não pela lagoa, como previu.
Sem vê-la há uma semana: Oh, mar de dor!
"Ana e o mar", mar e Ana. Soneto de amor.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Nostalgia.
Quando se é criança? Ah! Os adultos são chatos, mas são quem mais admiramos. Vem a adolescência, sem vermos o tempo passar. Apressada. E... ela passou. Enfim, é a hora da tão sonhada fase adulta. E nós ficamos... chatos nostálgicos. Sentimos falta do tempo em que podíamos correr, pular, gritar, chorar, gargalhar e fazer coisas 'bobas' sem motivo. Abstinência de espontaneidade. Falta aquela ida ao shopping com os pais; se lambuzar toda de sorvete e, mesmo assim, ser a 'coisinha linda da mamãe' e a 'princesinha do papai'; vestir as roupas, calçar os sapatos e usar a maquiagem de 'mainha' e fazê-la sorrir, enquanto você os usa por querer ser igualzinha à ela; sentar na barriga do papai; ser pega na escola pelos pais, que perguntam como foi seu dia; ser acordada pela mãe, que abre a janela e tira seu cobertor; ser abusada pelos irmãos; se machucar todo dia no parquinho da escola, chorar e brincar de novo; fazer parte do grupinho da Luizinha; dividir o saco de pipoca com o namoradinho de colégio; ser levada no colo para a cama; chegar cedo na escola só pra colocar sua lancheira na frente da fila; fazer barraco/casinha com cobertor e colchão; desenhar deitada no chão; tentar fazer uma piscina no box do banheiro e nadar nela; sentar no colo do Papai Noel e mandar cartas pra ele; brincar de polícia e ladrão, pega-pega, tica-trepa ou passa o anel; atravessar a rua de mãos dadas com o papai; ter sonhos e saber que podia alcançá-los; ter um álbum para cada coisa que você fizesse; se deliciar com as receitas da vovó; ficar ansiosa com mais de semanas antes do primeiro dia de aula... É saudade, meu amor. Nostalgia. E nós só percebemos o quão nostálgicos somos no momento em que seu avô fala de você quando criança e começa a chorar, sorrindo, como se você nunca tivesse crescido; seus pais choram dias antes de você completar mais um ano, olhando suas fotos antigas e dizendo: "É, como o tempo passa rápido. Um dia desses, você estava nascendo..."; você vai saindo de casa para sua primeira festa e seus pais a olham com os olhos cheios de lágrima e você consegue ler o que seus olhos molhados dizem: "Ela cresceu."
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Borogodó.
As pessoas, normalmente, são fúteis. Sim, fúteis. Se preocupam mais com um padrão de beleza mantido pela sociedade e com as condições financeiras que a pessoa apresenta. Não falo que devemos namorar alguém que esteja sempre desarrumado ou que não tenha boas condições, nem que não podemos nos interessar por pessoas que possuam uma 'capa' mais bonita. Certo, é normal. Eu sei que é normal. Até porque, se nos cuidamos, - ou não - queremos alguém bem visto ao nosso lado. O problema é que, apesar de alguns ainda não saberem bem por que, há algo que chama mais atenção que um simples 'rostinho bonito'. O borogodó pode estar naquele sorriso que ilumina qualquer lugar, no olhar misterioso, na maneira de andar, num sotaque bonito e/ou, até mesmo, na famosa pesonalidade - seja no humor, na simpatia ou no tipo de inteligência atribuída. Seja lá o que for, borogodó não é só parecer... é realmente ter. E há quem diga - eu, por exemplo - que 'tanquinho' não é tão atraente quanto uma 'barriguinha de chopp', que músculo não é nada quando há cérebro e que playboys não são se comparam aos nerds. Borogodó, meu bem... Simplesmente, borogodó.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Na varanda.
Ela estava em seu quarto. Pensava, e mais nada. Estava quieta, estava só. O silêncio interrompeu-se com o canto da brisa, que a chamava. A brisa a puxava para fora. Ela a obedeceu e pôs-se em direção à sua varanda. Ah, boa varanda... Ar puro, silêncio melódico e calmaria. Descalça, sentia o gelado do piso em seus pés. O corpo tremia. Havia uma rede estendida. Era branca. Deitou-se. Não havia contraste algum entre o branco da rede e o tom de sua pele. O vento a balançava tanto, que ela podia crer que havia alguém ali a niná-la. Ela via um céu todo estrelado como um teto. Luz da lua iluminava a noite. Uivar de cachorros e barulho de talheres a se baterem nos pratos, era tudo que se ouvia. De repente, música. "Vento, ventania nos olhos tão distantes (...)". O vento beijava seu rosto. Frio. As palmeiras dançavam. Folhas voavam. Flores dançavam. Maripousas pousavam. Era surreal. A vista que se tinha ali era realmente incrível. A música parou. Novamente, silêncio. Levantou-se. Entrou em seu quarto, pegou seu violão e voltou. Era como Euterpe. Era Euterpe com violão, não com flauta. O violão parecia mais doce a cada dedilhar. Não havia nada. Mas, havia tudo. Era como se houvesse o mundo inteiro num lugar pequeno da casa. Por isso, era o melhor lugar. O melhor lugar do mundo. Era onde estava sempre. Na varanda ela era feliz. Na varanda...
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
Velhice precoce.
Num dia, começou a chover. Sempre que chovia, ela ficava em casa na companhia de um chocolate quente, boa música e um bom livro, no conforto de sua caminha quente. Só que aquele dia era diferente. Colocou seu vestidinho com um tênis, fez rabo-de-cavalo no cabelo, e saiu. Não saiu com um guarda-chuva, saiu correndo na chuva. Era um sonho real. Era meninice. Estava fugindo da mesmice de ser um adulto chato. Parecia um tipo de Peter Pan, e agia como se fosse voar a qualquer instante. Tentou voar. Caiu. Machucou-se. Chorou. Chorava feito criança. Mas, o chorar de dor se confundia com o chorar de muito sorrir. E levantou. Brincou no parque. Passou o tempo. E nem percebeu... já raiava imperador, o sol. Voltou pra casa. Abriu a porta devagar e escondida - como se temesse que a vissem. Toda molhada e machucada, subiu devagar os degraus. Entrou em seu quarto. Fechou a porta. Arrumou-se para não pegar um resfriado. Já dormia o sol. A lua e as estrelas tomavam conta do céu. Sentou-se em sua cama, onde podia ver o que acontecia lá fora. Ela sabia que ela tornava mais madura a partir daquele dia, pois havia aceitado que era só uma criança.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Insanidade.
Sem pseudo-moralidade. Apenas, escândalo. Carro corre rápido, com um dos vidros abertos e uma menina 'louca'. Ela fala com as pessoas que estão na rua. São alguns 'loucos' da rua que a sorriem. Sorriem por saberem que não há insanidade, há liberdade. Outras pessoas, a chamam de bitolada e sorriem mesmo assim, percebendo que insanas são elas, que jugam-se tão 'sãs'. Ela surpreende os que estão no mesmo veículo que ela e não possuem a mesma 'coragem' que ela. Uma 'falta de coragem' que deprime, pois os impede de serem realmente livres. "Tenta. Isso liberta!", é o que ela diz, "Liberta-se!" E foi assim, que seu grito contaminou os que por ali passavam.
A maior verdade é que ela e os demais que foram chamados de loucos, não são os únicos insanos. Cada um tem um louco consigo. Cada um tem o poder de ser livre.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Vírgulas, pontos...
"Saudade é solidão acompanhada. É quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já..."
Pablo Neruda acertou. Ele havia ido embora. E a saudade? Não foi. Ela ficou, machucando. Era melancólico. E qualquer um que a visse num parque, olhando o céu, sabia que ela estava triste. Que ele a havia deixado. E que a saudade era apenas uma lembrança, sem mais futuros certos.Las cenizas.

Despertou. Já não estava no antigo quarto. Olhou para o lado esquerdo da cama. Ele já não estava mais lá. Ela não tinha mais aquela vontade de voltar à sua rotina normal, pois ele não estava mais nela. E acordar, era só... acordar. O sol e o edredon não bastavam. Não havia mais seu calor. Não havia mais nada. Só restavam ali as cinzas de um amor morto. Não havia 'morrido' realmente, ele insistia em viver. Apenas, as lágrimas o afogavam. Ela até que tentava, mas a borracha só apagava a tinta do que estava escrito, não apagava as marcas de quem escreveu. E quanto mais tentasse apagar, o papel rasgava. Estava só. O aroma de seu shampoo ainda estava no travesseiro; seu pefume estava nos lençóis; seu calor havia se perdido no corpo dela; ela ainda podia sentir seu hálito de menta e seus dedos a dedilhá-la, seu cafuné. Mas, ele não estava mais lá. Ele não estava.
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