quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Insônia.

     Eram cinco da manhã. Ela havia revirado os lençóis. Havia revirado a cama, o colchão, o pensamento, os ares, tudo. Havia esperado uma manhã que quase não chegava. Não chegava. Porém, chegou. O céu abriu, juntamente ao nascer do sol. A lua adormeceu, o sol acordou, ela permaneceu intacta. Permaneceu ausente de qualquer sensação que levasse a crer que o tempo teria passado, de alguma forma. "Que danado de tempo é esse?!", resmungava em pensamentos, sem ao menos notar que havia passado. Passou lentamente, mas, passou. O dia estava escuro, mas, era por questão de ansiedade, de espera, de notoriedade. A garota olhava pro relógio e, realmente, por ele, os ponteiros não andavam...estava desligado. Porém, foi num segundo que tudo mudou, pois, o galo cantou e o rádio tocou, por causa daquela programação de ligar numa hora exata, tal como um despertador. Ela despertou. Não despertou no sentido de acordar após uma noite bem dormida ou algo assim, mas, no sentido de acordar de um sonho, de uma paralisia que a tomava, mesmo que estivesse acordada. O motivo do despertar não foi o galo ou a hora marcada, mas, a música que tocava no momento. Era tema de um filme que gostava, uma comédia romântica, mais precisamente. Ela escutou a letra, a melodia, a voz, tudo que podia escutar, como se fosse a primeira vez que a ouvia. Era como se fosse uma canção inédita, mas, não. Não era. Era uma canção velha, ultrapassada, que seguia o rumo do que havia sentido. Percebeu que não passava de sonho, um sonho real, um sonho de alguém que tinha acordado. Foi aí, então, que a música acabou. Foi aí, então, que a insônia passou. Foi aí, então, que a menina dormiu...às cinco da manhã do outro dia, quando o rádio cansou de dar replay, e quebrou. O telefone não parava de tocar, mas, o rádio quebrou. O rádio quebrou e o telefone não parava de tocar. Acordou. Atendeu. Desligou. Era só alguém querendo saber do tal do ''estar bem'' do qual ela já não ouvia falar há muito. E o telefone quebrou.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chance.

     No rumo em que as coisas são levadas, quase sempre - mais para o sempre - surgem obstáculos, barreiras e muros. Eles vêm sem aviso prévio, ou pior, há aviso. O problema é quepor várias vezes, levados pelo medo, nos despistamos e não vamos em frente. Ao invés de derrubarmos esses muros para ver e sentir o que há no próximo nível, fazemos neles pequenos buracos, e vemos o outro lado por uma pequena brecha, só que não notamos uma coisa: o muro ainda está lá na nossa frente e só sairá quando o derrubarmos. Para esses muros, nós precisamos de chances para derrubá-los.
     É aí que vem o papo de chance. Ter uma chance, dar um chance, enfim. Chance de lutar, chance de conseguir. Só se consegue, lutando. Só se luta, quando há chance para tal. E daí? E daí que todos necessitam de uma chance, pelo menos, em toda a vida. Certo, não só uma, mas, várias e várias e várias e várias e várias,...e várias chances. Porém, uma dúvida: por que dar uma chance? Por que dar várias chances? Neste instante, você é quem me diz.
    Falando por mim, talvez eu não seja digna de ter essa tal da chance, afinal, das minhas características, quem pondera são os defeitos e não as qualidades. Sou ansiosa; não durmo quando tenho algo para ser feito ou por não ter feito algo; sou nervosa, quando alguma coisa me afeta; paciente até certo ponto; medrosa, que finge ter coragem; atrevida quando o medo ataca; impulsiva, agindo pelo momento e não me segurando quando devo, fazendo ou falando asneiras; insegura; frágil demais, tanto que chega a ser enjoativo; às vezes, não falo nada com nada; chorona, do tipo que é a manteiga derretida escrita e desenhada, sem pôr nem tirar; às vezes, muito irracional, agindo sem pensar e sem pensar em agir já agindo; falo besteira, agindo como criança e rindo como tal; posso ser mulher, embora seja dependente... enfim, não preciso nem dizer escrever tanto, se me conhece assim e sabe que sou. Sãovários, sãoinúmeros os defeitos da pessoa que vos fala. Tenho vários problemas, tenho vários defeitos, não sou tão boa quanto deveria e nem quanto gostaria de ser, mas, é. Apesar das tentativas de não ser, eu sou, eu tenho e não sou. Certo, com o tempo, a gente vai minimizando e tudo o mais, só que vou continuar com alguns dos defeitos insuportáveis e é aí que a gente faz um balanço do que é realmente importante, do que realmente importa. Só se conhece o outro a quem se gosta, quando se convive e é convivendo que a gente aprende ou não a lidar. No caso, se sim, significa que há um ''gran finale'' para o filme. Caso, se não aprender, a tragetória muda, muda o capítulo do filme...ou, há ainda um terceiro caso, que é o de o filme nunca acabar, porque o capítulo passa, mas, as personagens são as mesmas. Neste caso, acontece porque tem de acontecer e acontece porque há a chance de acontecer novamente. É, lá vem a chance outra vez...
     No mais, é simples: há uma situação, há um muro, há um outro lado e há duas pessoas. UMA situação, UM muro, UM outro lado e DUAS pessoas. Vence quem está junto, vence o mais forte, e é o mais forte quem se une num só, quem junta suas forças para enfrentar os desafios. Até porque, eles não são nada quando se jura um ''para sempre''. O ''para sempre'' é posto em jogo agora, não nos momentos mais fáceis, porém, nos momentos em que o muro é maior, mais largo e mais resistente. Só que se resiste, realmente, o mais forte. O mais forte vence. Então, o que é mais forte? Ah! outra coisa que não disse ainda, mas, devo dizer agora...eu creio em príncipes encantados, em finais felizes, em amores eternos. Eu acredito, sim. E você, acredita? Talvez, não. Talvez, sim. Os finais felizes e amores eternos só se acham após quedas e muitos muros, verdade. Não sei se esse final pode ser feliz, mas, quem sabe? Quem é que sabe? Como é que se sabe? Quando se sabe? Quando houver aquilo que martelo há tempos, desde o título até fragmentos do texto: chance. Não há por que dá-la e, muito menos, eu tê-la...é uma questão de crença no que virá. É crença, é chance, é nada mais.


domingo, 7 de novembro de 2010

Fé, muita fé.

     Agora, os medos estavam mais pesados. O negativo nunca havia sido tão negativo. A ansiedade, o nervosismo, o anseio,...tudo estava aqui, sem nem querer que estivessem. E o que mais precisamos, neste momento? Fé! Porque uma etapa passou. Uma etapa cansativa, muito cansativa, já passou. E é só esperar, para que algo, talvez melhor, aconteça. É cruzar os dedos, é desejar, é orar e aguardar, que está vindo o que tem de vir. Porque o sonho pode estar próximo ou não. Mas, vai ser o que será. Sim, vai ser, ou não. Quer dizer, via ser, sim. Talvez, amanhã ou depois, mas, do agora, já vou saber. E o que tiver de ser agora, agora será.

sábado, 30 de outubro de 2010

!

     Por mais que queiramos, há sempre um ''mas'', um ''apesar de''. Querer não é conseguir, tentar não é ter. Tudo fica assim, sem chão, sem arreio, sem pé nem cabeça. Talvez, aquela mesma pessoa que te faça o bem, é a mesma que você não leva um bem suficiente. Sua incapacidade, imaturidade ou qualquer coisa que seja, não são motivos para fazê-la mal, então, faça bem pro seu bem...não faça quem você ama sofrer. Cresça! e pare de fazer tudo errado. Pare de deixar tudo como está. Pare de ficar todo errado e de fazer tudo errado. Isso mesmo, cresça e coloque quem você ama em primeiro lugar. Faça de tudo, para não perder. Porque, se perder, vai ser tarde demais. Então, bote os pingos nos ''is'' e faça um balanço. O que é que mais vale à pena: ficar só num dia de sábado, enquanto podia estar melhor, ou não? Quem você precisa para estar bem é o mesmo alguém que precisa de você.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Juro.

     Deixei de acreditar em amor à primeira vista e em amores eternos, chegando até a jurar que jamais encontraria o que se chama de amor, pois, este seria mera ilusão, fantasia ou sei lá o que fosse.  Havia sofrido desilusões e não as queria sofrer mais, nunca mais! Eu não me apaixonaria mais e não mais sofreria, então! Mas, não. Não foi bem assim... Após um tempo de fazer o tal juramento, Deus veio me provar que eu deveria refazê-lo. Pois, a paixão poderia ser sinônimo de sofrimento, mas, o amor...o amor, não.
     A necessidade de falar e de estar perto todos os dias me tomaram, sem nem entender por quê. Mas, o por que apareceu após uma terça-feira qualquer, durante uma aula tediosa de matemática. Foi a partir do dia seguinte que tudo passou a crescer. E era quando tentava fugir que aquilo mais crescia. Porque para o amor, não há fuga. Não houve escapatória para mim, não houve escapatória para você. Nossos destinos cruzaram, nós nos cruzamos. E naquele instante, as ''crenças'' e aquele juramento, não passavam de nada, já este amor, passava de tudo. O nosso amor passou de tudo. 
     O que Deus me fez, naquele dia, foi te jurar amor eterno. Então, eu te juro. Te juro amor eterno, meu amor.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Cartas de Amor (Fernando Pessoa)

Ps.1: Sim, sou ridícula.
                                                          Ps.2: Sim, dizer que sou ridícula é uma forma de dizer ''eu te amo'' 
sem necessariamente dizer.        
                                   Ps.3: Sim, agora, com todas as letras: eu te amo.

Todas as cartas de amor
são ridículas.

Não seriam cartas de amor
se não fossem  ridículas.

Também escrevi, no meu tempo,
cartas de  amor como as outras,
ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
têm de ser ridículas .

Quem me dera o tempo,
em que eu escrevia
sem dar por isso, cartas de amor ,
ridículas.

Afinal,só as criaturas
que nunca escreveram Cartas de amor
        É que são ridículas...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

     A voz começou a ficar rouca. Saiam só palavras embaralhadas, coisas sem sentido algum, que falando parecia até o oposto do que queria dizer. Mas, foi.   Disse o que não queria, sem querer, só por não pensar em como dizer direito, e fez uma burrada. Após falar, as vozes calaram-se, veio o silêncio absoluto. Não saía mais nada. E só pensava, junto ao silêncio, que devia ter aproveitado o vestígio de voz que ainda possuía para falar direito, o que realmente queria, o que realmente sentia. Mas, não. Burra. É, burra. Sentia-se uma idiota por esquecer de pensar antes de falar qualquer vírgula, qualquer ponto ou ficar em qualquer silêncio que fosse. Magoou-se. Magoou, também, quem menos queria. Só por não saber falar, por não entender nem o que ia falar, por ter embaralhado as palavras.   Desligou sem nem poder se despedir. A voz rouca tornou-se soluço...vieram lágrimas. A dor tomou o espaço, na verdade, tomou um vazio tornando-o espaço. O espaço do ''eu te amo''.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quase nada.

"Se tudo passa, como se explica o amor que fica nessa parada e o amor que chega sem dar aviso?"











(Zeca Baleiro)

terça-feira, 24 de agosto de 2010

domingo, 8 de agosto de 2010

Nostalgia musical.

Teu xodó é que nem noda de cajú. 
Desde que abracei tu, nunca mais quis me largar.
Teu xodó é que nem fogo na fornalha. 
Sai queimando a minha alma na hora de xodozar.
Por teu xodó, dou abraço em porco espinho. 
Beijim, beijim em malagueta. Só pra você voltar pra mim.
Teu xodó tem um chamego diferente. 
É igualzinho a dor de dente, que só passa de manhã.
Mas, torna a voltar quando o sol ta se escondendo.
Mas, torna a doer... Olha a lua aparecendo.
 
 
 
 
Saudade de uma infância não muito distante. Saudade de um janeiro um tanto perto, mas, nem tanto... e nem tão longe quanto a infância. Saudade que se aplica à musica, lugares, pessoas, instantes, climas, aromas, sensações, sentimentos, cores,... coisas que, talvez, não voltem fisicamente, mas, estarão sempre na memória. Saudade boa. Nostalgia gostosa.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não perdi. Só não sei onde está.

     Após traumas, mazelas, faltas, presenças, sorrisos, felicidades, amores,... a gente aprende. A gente aprende a mudar. A gente aprende a mudar mudando com o que foi mudado, embora permaneça queimando ainda, bem dentro, bem perto, mas, com o mais importante longe. Muda-se porque e necessário, e não porque é mais interessante. Se bem que, acaba tornando-se interessante que haja uma boa mudança. Muda-se o jeito, o gesto, o juízo, o cabelo, a palavra, o caminho, o cenário, a roupa, o pensamento, o movimento, o sentido, o ausente, o presente, o sentimento. Muda-se, mesmo que nada tenha mudado ao redor. Muda-se o que e de dentro, para alterar algo do que é de fora.  E com tantas mudanças, muda-se quase tudo. Um tudo que não sabemos onde está... ao certo.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sem olhar para trás.

     Nos deparamos, muitas vezes, com aquela sensação de nostalgia. Nostalgia de fases, momentos, instantes, pessoas, aromas, sabores, toques, olhares, sentimentos, climas, chuvas, sóis. Boa é a saudade que nos deixa com um sorriso torto de quem muito é feliz ao relembrar. Porém, torna-se má quando está carregada de arrependimento. Arrependimento por não ter dito, pensado, feito, mostrado ou por ter feito algo que não deveria tê-lo nem sequer pensado... e feito, então?!
     Nós devíamos fazer de tudo para que não houvesse chance alguma para que o arrependimento apareça, mas, ao que me parece, é algo quase que inevitável. Por quantas vezes nos questionamos com o famoso clichê "nós só damos valor a algo quando o perdemos"?     E o que nós fazemos para combatermos nossos atos errôneos? É, isso é retórico, mesmo que já seja mais do que uma resposta subentendida... é óbvio, é evidente, é explícito. Brigamos quando deveríamos abraçar; batemos quando devíamos acariciar; discutimos quando devíamos conversar cordialmente; xingamos quando devíamos elogiar; puxamos os cabelos quando devíamos alisá-los; choramos quando devíamos gargalhar. 
     É assim que se sucede: nós desvalorizamos completamente daquilo que usurfruímos, porém, geralmente, valorizamos apenas o que nos é alheio. E quando perdemos? Ah, agora sim... nos arrependemos completamente. Nos arrependemos porque sabemos que aquilo nunca mais voltará a ser nosso - se é que realmente foi, um dia.      Aprendemos a valorizar depois, já que nunca esperamos que nada nos tire aquilo das mãos e o deixe apenas em memória. Não esperamos que nos atinja como um tumor no coração. Porque nunca iremos esperar que o alguém mais importante de nossas vidas se vá, sem poder ter a chance de lutar contra sua ida, sem lutar contra esse tumor. Então, percebemos: estamos chorando todo o leite derramado... e já foram derramas algumas muitas caixas.

sábado, 24 de julho de 2010

Afinidade Murphyniana ou Macabeismo.

     Tudo para dar certo, mas, dá errado. Ou, quem sabe, tudo para dar errado, mas, dá certo. Sei bem como é isso, bicho. Será Lei de Murphy? Ou será um súbito detalhe de um subconsciente semelhante ao da Macabéa? É, não duvido que sejam os dois. O problema é que isso atrapalha, mesmo que seja o que poderia dar errado, mas, não deu. Às vezes, a gente nem precisa e nem mesmo quer que algo dê "certo", já que nem todo certo é exatamente o certo para nós. Pode ser certo, mas, nem sempre é.
     Um exemplo mais fácil de ser compreendido, mesmo que seja um tanto complexo, está baseado em relacionamentos.  Não é tão simples, mas, tentando, a gente busca entender a teoria...já na prática, não sei. É que, quando se está "sozinho", você está sozinho mesmo. Ninguém. Eu disse "ninguém". Ninguém aparece sorrindo para você com aquele sorriso torto que te deixa babão. E aí? Fica só! Você quer estar junto, mas, está só.  Porém, depois de um tempo, aparece alguém, um alguém que lhe traz um bem danado e que você gosta de verdade. Nesse momento, você não quer se envolver emocionalmente, mas aparece esse alguém, aí você repensa. E a partir desse momento, seus recados no orkut aumentam, recebe depoimentos e as janelinhas do msn se multiplicam e não param de piscar. Não, não é só a pessoa que está com você que está te ligando e mandando mensagens na madrugada de sábado para domingo. Pelo que parece, você não está só, nem querendo estar. porque são vários admiradores, fãs e apaixonados que apareceram 'do nada'. Você fica confuso com todas as possibilidades que tem. É, não dá pra saber muito bem o que fazer.
     Talvez, dê tudo "certo": você fica com um único alguém, enquanto é objeto de desejo de vários que lutam a unha por você, ou você fica só novamente ao tentar estar com um único alguém, já que quando você escolher um só alguém, vai surgir um problema que faça com que vocês acabem ou você perceberá que a pessoa não é exatamente o que esperava, e, por consequência, todos os outros já estão comprometidos e/ou já não se importam com você. Sem falar que, depois do "fora" que deu,  mesmo que tenha buscado não magoá-los, os magoou e perdeu a amizade de todos aqueles que antes lhe veneravam. Pois, é. Isso só acontece porque não é a hora, as pessoas, o lugar ou nada certo ou, talvez, porque não é errado. É aí que está o problema! Murphy tem uma leve queda por você, ou não gosta de você. Ou é isso, ou o problema é com você ou com as pessoas ou com o mundo ou com o momento ou com tudo e todos. E está aí outra coisa que eu não duvido: você pode ter um distúrbio, algo que o ligue à Macabéa da Lispector. Mas, cara, sinceramente, eu sei o que é isso. E quer saber? é foda! Murphy, Macabéa, você: seja o que for, boa sorte...você precisa, e eu também!  Mas, afinal, o que é que custava aparecerem aos poucos ou só quando realmente deveriam aparecer?   Porém, você estará enfadado a ficar sozinho, até perceber que Murphy estava só te preparando para o seu real destino...e aparece um só alguém para mudar sua vida.


ps.: Como ainda estou no estágio de não querer - traumas passados- e aparecerem vários, por favor, Murphy...ajude! Puta que pariu, é difícil!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Outra vez.

     Após um dia sem ter em vista o alguém que queria, a noite trouxe um alguém antigo. O alguém antigo seguiu o olhar, a seguiu, voltou, pôs-se de pé em seu lugar. Não era o lugar mais cômodo, mas, era um lugar que ela poderia tê-lo em vista, então, ótimo! Ela fazia questão de virar seu tronco para que seu corpo ficasse em direção a ele, tendo a absoluta certeza de que ele ainda estava ali presente, compartilhando seu ar com o dela. Foi a passada na rampa mais feliz de sua vida. Ela desceu a rampa, virou o pescoço para que pudesse olhá-lo e olhou-o da mesma forma que ele a estava olhando. Seus olhares cruzaram-se. E descruzaram-se timidamente ao perceberem sintonia nos detalhes dos olhares furtivos que carregavam. Era como mágica. Algum fantástico sonho ou coisa parecida contornava a noite, o lugar. Aquele momento passou de algo simples para algo intenso, apaixonante. Ela sabia que iria encontrá-lo novamente por mais três dias e tentaria, assim, aproximar-se daquele que lhe tirava o sono, que lhe sacava o sorriso, que lhe fazia esquecer as mazelas. E a única mazela daquele instante era ter de esperar vinte horas, até que o visse novamente - não falo do sonho, pois, contando com o sonho, dormiria com ele e acordaria com ele... talvez, nem acordasse, já que gostaria de sonhar aquele sonho tão real, enquanto não o via outra vez.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Enfim.

    Após tanto tempo de iniciativas forçadas por ambas as partes para chegar junto um do outro, o chegar junto foi rápido e natural. Foram três anos para que viesse a coragem de chegarem próximos e falarem algo.  Certo, não tão natural assim, já que em poucos segundos, os carinhos já eram evidentementes tardios, pois os esperavam pretensiosamente há muito. Sim, imaginava que despertaria seu lado sentimental outra vez, mas, não tão rapidamente. Tanto que, no outro dia, os abraços eram mais fortes e os olhares denunciavam o que estaria sendo sentido. Era óbvio. Tudo bem que é possível haver amizade, porém, já haviam adiado tanto...e ainda assim, sentiam medo de que houvesse um estrago naquela amizade tão surreal. E a cada instante, os abraços se tornavam ainda mais e mais fortes e demorados, os olhares eram mais furtivos, eram passados os dedos pelos cabelos e rosto,... e, então, denúncia! Ela havia lido um dia antes num daqueles livros de romance , que falava sobre como agiria uma personagem apaixonada. É, o apaixonado agiu. Ela... bem, ela passou horas pensando em cada detalhe de seu dia. Aí, não teria como saber, senão pelo seu sorriso, que estava também apaixonada, já que se controlava e ele não sabia que era ele o pensamento dela.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Caio F. Abreu

     Dormindo ou acordado, eu recebia sua partida como um súbito soco no peito. Então olhava para cima, para os lados, à procura de Deus ou qualquer coisa assim - hamadríades, arcanjos, nuvens radioativas, demônios que fossem. Nunca os via. Nunca via nada além das paredes de repente tão vazias sem ele. Só quem já teve um dragão em casa pode saber como essa casa parece deserta depois que ele parte.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Junho pluvial.

     Após dias e mais dias, a chuva não cessava. Dias. E não cessou. Nunca gostei de chuva. Certo, gosto só quando estou embaixo de um cobertor, em minha cama, num fim de semana e com um pote de sorvete, como a Bridget Jones. Mas, infelizmente, não nasci com a incrível habilidade de gostar de ficar toda molhada enquanto espero um ônibus, molhar a calça ao sentar num banco molhado, ficar a cara da Samara de "O Chamado",  sentir sono durante uma aula, acabar com os planos de ir à praia, acabar com o churrasco, ou de ser deixada na mão por um guarda-chuva que quebrou. A única coisa que me agrada é o frio e aquela boa sensação de calma. Mas, como Murphy não vai muito comigo, a cidade parece estar em constante sol, mesmo com chuva, e parece um batidão de funk... ou seja, muito calor e transtorno.
     Porém, num dia, tudo estava diferente. Estava tudo tão diferente naquele dia, que mesmo se houvesse um toró, não sentiria a chuva. O dia estava ensolarado. Apesar do sol escondido, um grande sol se fazia ali. Eu me fazia sol. Você me fazia sol. A gente estava sol. E só sei que, aquele dia, foi diferente. Nem de guarda-chuva , fciar com a calça seca, ficar de cabelo bonito, ir à praia ou a um churrasco, nem precisava ter um guarda-chuva que prestasse. Eu tinha um sol na chuva.  Tinha tudo. Naquele dia, eu gostei da chuva. E nem sei bem por que...não sei.


"Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que nesse verão eu faço sol."

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Que porra é essa?!

     Estava em aula, numa segunda-feira, enquanto uma professora falava algo sobre o amor, sobre o romantismo, sobre cavalheirismo. E eu, puramente romântica, falei docemente: 
- Que porra de amor, homi. Amor não mais existe!  
     Minhas amigas, que são completamente apaixonadas pelos namorados, me repreenderam com um olhar de desprezo, bem direto e bastante frio.  Uma delas falou: 
- Essa é boa. Olha quem fala! Você é toda romântica, que chega a ser melosa.

     Certo, não usei bem as palavras. É, continuo sendo aquela mesma adepta ao romantismo à moda antiga, cheio de flores, amores, poesias, serenatas, olhar nos olhos, passeios na praia, mãos dadas, dança lenta com rosto colado, relacionamentos verdadeiros e duradouros, suspresas, abrir porta de carro, bilhetinhos, ombros ocupados pelos braços do amado, e tudo aquilo mais que os "moderninhos" julgam pieguice, caretice ou seja lá o que julgem - não me importa o que pensam. Elas se surpreenderam com minha afirmação pelo simples fato de não compreenderem sobre o que eu realmente falava, sem tentarem andar na minha linha de raciocínio "insensível". Gente, sou do tipo que se amolece com bebês, com olhares, sorrisos, palavras, pequenos gestos, detalhes, aromas, lembranças, fotos, cartas, tickets de cinema,... Choro com músicas, filmes e propagandas de biscoito - é verdade, não é só o de margarina que pode ser emocionante. Modestamente, insensível é uma característica que não convém a mim, pode ter certeza.
     O que eu quis dizer é que, infelizmente, a modernidade cria uma banalidade enorme em cima dos relacionamentos. Vivemos num momento em que o "eu te amo" é dito da mesma forma em que se pronuncia "oi", sendo automático; namoros vêm e vão a 120 km/h; ficar por ficar, o que inclui a pegação geral; infidelidade; deslealdade; relação descompromissada e vulgaridade. Um "eu te amo" falado da boca para fora não é romantismo.  Só  pedir em namoro no dia dos namorados não é romantismo. Só usar um anel de compromisso não é romantismo. Quer dizer, são românticos, mas quando há verdade nos atos.  Tudo depende  dos atores da peça para que o espetáculo seja aplaudido pela platéia. Desculpe-me pela sinceridade, mas, é a verdade. 
     Não é preciso um discurso, um anel, um pedido, um presente, ou algo assim, para que haja romantismo.  Precisa de duas pessoas, e "só". Cara, quando você ama, você se torna um pateta, um tolo, um panaca. Acredite: amar verdadeiramente a ponto de se tornar um imbecil - no melhor sentido das palavras, se é lá que há - é isso que é romântico. Então, menos hipocrisia e mais verdade. Mais amor. Ame. Seja idiota. Guarde o seu "eu te amo" para o seu amado-alguém. Guarde o seu "eu te amo".

domingo, 6 de junho de 2010

sábado, 5 de junho de 2010

Arrepio.



     Calafrio. Calor, ou frio. Com o encaixe de um abraço, ou de um beijo. Ao ouvir uma voz, ou uma música.  Ao toque do vento, ou da chuva. Ao toque de um respirar no pescoço, ou um sussurro no ouvido. Ao ver algo, ou alguém. Por medo, ou ansiedade. Por tocar, ou ser tocado. Por paixão, ou amor. Por tantos e outros, ou tudo e todos. Por um olhar, ou um sorriso. Com o roçar da barba, ou com o roçar dos dentes. Por olhares, ou sorrisos. Por lágrimas, ou soluços. Ao sentir uma presença, ou uma ausência. Com um sorrir brilhante, ou um olhar marejado. Com um som, ou um silêncio. Com a calmaria, ou a dança. Numa praia, ou numa varanda.
     Seja lá o que for ou por que for, arrepie-se. Provoque a melhor das sensações. Se deixe provocar. Provoque. Arrepie.